Classificação científica
| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Aves |
| Ordem: | Strigiformes |
| Família: | StrigidaeLeach, 1820 |
| Espécie: | B. virginianus |
| Nome científico: | Bubo virginianus(Gmelin, 1788) |
| Nome em inglês: | Great Horned Owl |
Características
Coruja grande e poderosa, com “orelhas” proeminentes. Maior rapinante noturno do Brasil. Dimensões(Relativas): Tamanho Total: 45-60 cm, Asas: 297-390 mm, Cauda: 175-250 mm, Bico: 43-52 mm, Peso: Machos 985-1585 g Fêmeas 1417-2503 g. Grande e imponente coruja, com orelhas proeminentes, grandes olhos amarelados e garras poderosas totalmente cobertas de penas. Fêmeas maiores que machos. A cor em geral variando do cinza pálido ao marrom escuro. Partes inferiores barradas (claro e escuro). Garganta em branco puro bastante proeminente quando inflada (vocalizando). Grande variedade de subespécies. No Brasil ocorrem B. v. nacurutu e B. v. deserti.
Alimentação
Predadora generalista e oportunista, porque captura a presa mais fácil e abundante. Na Guiana Francesa, preda tartaruguinhas recém-eclodidas. Se alimenta de mamíferos menores até o tamanho de lebres, ratões e gambás (suas presas mais comuns). Captura morcegos em pleno voo. Também aves do porte de patos, gansos, garças e aves de rapina de médio porte (incluindo outras espécies de coruja), répteis, sapos, aranhas e grandes insetos. Caça geralmente em áreas abertas ou semi-abertas, bordas de matas ou clareiras, partindo geralmente de um poleiro, de onde mergulha para capturar as presas. Algumas vezes detecta a presa durante o voo, mergulhando para capturá-la. Mata a presa utilizando as poderosas garras e bicando a cabeça. A presa é então levada a um lugar seguro para ser devorada ou para o ninho. A comida excedente é frequentemente armazenada em “esconderijos” em seu território.
Reprodução
O ciclo reprodutivo começa no inverno, quando as noites são mais longas. Após a marcação do território, o macho normalmente contacta a fêmea, frequentemente a mesma dos anos anteriores. Ambos podem ser ouvidos vocalizando em duetos durante a corte. O macho oferece locais potenciais para o ninho para sua companheira, visitando cada local, vocalizando sons guturais combinados com cantos. Frequentemente o lugar escolhido para o ninho é o mesmo de outros anos. Costumam utilizar-se de ninhos abandonados de grandes aves como Gaviões, grandes “ocos” de árvores, uma depressão em um barranco ou penhasco, entradas de cavernas, entre rochas, etc. A fêmea põe de 2 á 3 ovos arredondados e brancos (às vezes até seis) com 50-60 mm x 43-50 mm. Ela os incuba sozinha por 28 a 35 dias, sendo alimentada pelo macho. Quando a comida é abundante, ela é armazenada no próprio ninho, que se torna “apodrecido”. Os ninhegos tem penugem esbranquiçada. Eles permanecem no ninho por aproximadamente 7 semanas, mas são incapazes de voar bem até a idade de 10-12 semanas (alguns caem do ninho). Os ninhegos são bastante ruidosos quando “pedem” alimento. Eles são alimentados pelos pais até o Verão ou até mesmo o começo do Outono, para então se dispersarem. A maturidade sexual é atingida no ano seguinte.
Hábitos
Vive em bordas de matas, capões, matas secas, matas mesófilas e campos, e em áreas semi-abertas com árvores, ravinas, cerrados e em áreas com escarpas rochosas com árvores e arbustos, mesmo em áreas antrópicas ou grandes parques. Torna-se ativa após o crepúsculo, mas em algumas regiões a coruja está alerta já no final da tarde ou início da manhã. Descansa no seu esconderijo durante o dia entre densa folhagem de árvores ou arbustos, em reentrâncias de penhascos, entre rochas ou em rachaduras de grandes troncos. Permance com as “orelhas” eretas e olhos semi-fechados. No crepúsculo, frequentemente vocaliza alguns chamados de seu poleiro antes de voar para um poleiro em áreas mais abertas, frequentemente uma rocha ou um galho exposto, de onde vocaliza. Mesmo durante o dia ao pressentir a presença de algum intruso emite uma vocalização de alerta, mais curta e mais baixa que a normal (observação pessoal, João de Almeida Prado). Normalmente vários poleiros são utilizados para demarcar um território, com a intenção de atrair a fêmea. Durante a vocalização, o macho pende a cabeça para frente com o corpo alinhado horizontalmente, com a cauda e asas ligeiramente abaixadas. Nesta posição, a garganta é inflada como uma “bola branca” abaixo do bico. No crepúsculo, esta marcação branca torna-se bastante evidente, indicando a posição do macho. As fêmeas normalmente não performam este display quando vocalizam. Ambos sexos podem ser bastante agressivos (mesmo com humanos), durante a época reprodutiva, especialmente após a eclosão dos ovos.
Referências
Crozariol, M.A. & F.C. Almeida (2006) Primeiro registro de Bubo virginianus (Gmelin, 1788) (Aves: Strigidae) no litoral norte do estado de São Paulo, sendo o terceiro registro documentado da espécie para o estado. Atualidades Ornitológicas 132: 20-21. Konig, Claus & Weick, Friedhelm - “Owls of the World”, 2a edição - 2008 - Christopher Helm - Londres - páginas 319-321. CLEMENTS, J. F., T. S. Schulenberg, M. J. Iliff, D. Roberson, T. A. Fredericks, B. L. Sullivan, and C. L.. The Clements checklist of Birds of the World: Version 6.9; Cornell: Cornell University Press, 2014. The World Bird Database, AVIBASE; http://avibase.bsc-eoc.org/species.jsp?avibaseid=FC366114BD3B51A0. Handbook of the Birds of the World Alive. Lynx Edicions, Barcelona. ITIS - Integrated Taxonomic Information System (2015); Smithsonian Institution; Washington, DC. SILVA, J., RIBENBOIM, L. C. da C., SANTOS, N. Corujas do Brasil. Taubaté, SP: Dica de Turismo Publicações, 2017. WikiAves (##2024##) WikiAves, a Enciclopédia das Aves do Brasil. Disponível em: http://www.wikiaves.com.br. Acesso em: 16/12/2024. . Acesso em 16/12/2024.