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Sabiá-do-campo

Chalk-browed Mockingbird
Sabiá-do-campo | Chalk-browed Mockingbird

Classificação científica

Reino:Animalia
Filo:Chordata
Classe:Aves
Ordem:Passeriformes
Família:MimidaeBonaparte, 1853
Espécie:M. saturninus
Nome científico:Mimus saturninus(Lichtenstein, 1823)
Nome em inglês:Chalk-browed Mockingbird

Características

Mede entre 23,5 e 26 centímetros de comprimento e pesa entre 55 e 73 gramas. Possui uma coloração cinzenta no dorso, alto da cabeça, asas e cauda. O peito e o ventre são branco-amarelados ou arroxeados pela terra. A listra superciliar branca, destacada pela faixa negra na altura dos olhos, é uma característica importante para a identificação. Os olhos dos adultos são amarelados, marrom escuros nas aves juvenis, as quais também possuem o peito rajado de cinza escuro. Possui a cauda comprida com as pontas de cor branca.

Alimentação

São onívoros, alimentam-se principalmente de invertebrados e frutos. Dentre os invertebrados, os insetos (formigas, cupins, besouros) constituem a maior parte das presas. Os frutos podem ser silvestres (neste caso de pequeno tamanho, engolidos inteiros) ou cultivados, como laranja e abacate. Aprecia muito os frutos do Tapiá ou tanheiro (Alchornea glandulosa). As sementes não são digeridas, e atravessam intactas o tubo digestivo. A ave atua, assim, como dispersora das sementes dos frutos que ingere. A maior parte do alimento é obtida enquanto a ave caminha pelo solo, podendo acompanhar outras aves como o joão-de-barro na procura de insetos em áreas abertas como pastagens e gramados. Outros métodos de alimentação com presas animais são menos frequentes, como a captura de insetos em voo a partir de poleiros elevados, ou com saltos a partir do solo. Frutos são coletados pela ave empoleirada; frutos de grande tamanho, cultivados, podem ter parte de sua polpa consumida após caírem ao solo. Ocasionalmente predam ninhos com ovos e filhotes de outros pássaros.

Reprodução

O ninho é construído grosseiramente com gravetos secos, grama e algodão, em forma de tigela rasa sobre árvores ou arbustos e em certos locais sobre os grandes ninhos abandonados de outros pássaros. O centro do ninho é forrado com material macio. Os ovos são verde-azulados com manchas cor de ferrugem. A fêmea põe de 3 a 4 ovos e, às vezes, choca ovos de outros pássaros. O casal é auxiliado por um terceiro ou quarto indivíduo do bando, que talvez sejam crias de anos anteriores que ajudam na alimentação e proteção. Repelem os outros pássaros das proximidades do ninho. Os ovos eclodem após 12 ou 14 dias e os filhotes abandonam o ninho com 11 a 14 dias de vida. O interior da boca dos filhotes é amarelo-laranja.

Hábitos

Apresenta uma série de comportamentos, muitos deles pouco entendidos, talvez pela dificuldade de se aplicar um método muito comum de pesquisa, que é o de anilhamento. Algumas pessoas que tentaram anilhar esta ave para estudar seu comportamento desistiram deste recurso pois a ave parece ser tão sensível ao estresse da captura que alguns indivíduos morreram após o anilhamento. Anda pelos campos e cerrados ou parques e terrenos baldios de cidades geralmente em bandos, que podem ter até 13 integrantes. Na porção sul de sua distribuição não forma bandos, e costuma viver em casais. Possui o hábito de erguer as asas semiabertas de tempos em tempos enquanto anda pelo chão, numa exibição denominada “lampejo de asas”, cuja finalidade não é entendida e que é observada também em outras espécies do gênero. O lampejo pode ser executado também quando a ave se depara com uma ameaça em potencial (humanos próximos demais, serpentes). Apesar de viver em grupos familiares, são muito agressivos entre si e usam os longos bicos e as garras fortes em brigas sem trégua (origem do nome galo-do-campo). Apresenta a característica de ave sinantrópica, ou seja, pode se adaptar às grandes cidades, desde que estejam disponíveis água e áreas verdes onde eles possam pousar, caçar e fazer ninhos. Não teme o ser humano, permitindo uma grande aproximação sem se assustar. É um dos melhores imitadores de outras aves na natureza. Alguns indivíduos repetem o canto de até 6 espécies diferentes. Além dessas imitações, usadas na época reprodutiva (julho a dezembro), possui um canto próprio, onde lança mão dos chamados mais graves e agudos característicos, iniciando ou terminando a imitação.

Referências

Argel-de-Oliveira, M. M. Eco-etologia do sabiá-do-campo Mimus saturninus (Lichtenstein, 1823) (Passeriformes, Mimidae) no Estado de São Paulo. Campinas, Instituto de Biologia, Dissertação de Mestrado (Ecologia). 1989. Disponível em http://cutter.unicamp.br/document/?code=vtls000048216 Acesso em 4.nov.2013 EMBRAPA, Sabiá-do-campo - Fauna de Vertebrados Selvagens de Campinas. Disponível em: http://www.faunacps.cnpm.embrapa.br/ave/sabiacam.html. Acesso em 06 mar. 2009. Wikipedia Acesso em 06 mar. 2009. SANTIAGO, R. G. Sabiá-do-campo ou Tejo ( Mimus saturninus ) Guia Interativo de Aves Urbanas, 10 dec. 2006. Disponível em: http://www.ib.unicamp.br/lte/giau/visualizarMaterial.php?idMaterial=390. Acesso em 06 mar. 2009. Aves do Pantanal, Sabiá-do-campo. Disponível em: http://www.avespantanal.com.br/paginas/263.htm. Acesso em 06 mar. 2009. RODRIGUES, Sheila Silva. Biologia e sucesso reprodutivo em Mimus saturninus - disponível em http://repositorio.bce.unb.br/bitstream/10482/4585/1/2009_SheilaSilvaRodrigues.pdf Acesso em 28 abr. 2011 WikiAves (##2024##) WikiAves, a Enciclopédia das Aves do Brasil. Disponível em: http://www.wikiaves.com.br. Acesso em: 20/12/2024. https://www.wikiaves.com.br/wiki/sabia-do-campo. Acesso em 20/12/2024.